VISITE OS BLOGS DESSE PESSOAL, DIVULGUE E VENHA SEGUIR TAMBÉM

PARA ACHAR UM ASSUNTO ESCREVA A PALAVRA AQUI

Carregando...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE USOS E COSTUMES (parte I).

Por. Joelson Gomes

Introdução:

Muitas igrejas têm feitos todo tipo de proibições para com as mulheres nas questões de maquiagem e adornos. Com o argumento de que as irmãs devem ser simples como as pombas (Mt. 10:16), estas denominações proíbem e disciplinam qualquer vestígio de enfeites feitos pelas mulheres.

É comum escutarmos alguns irmãos falarem “minha igreja tem doutrina, lá mulher não usa maquiagem, brincos, pulseiras, etc.”. E falam isso com orgulho de pertencer a uma igreja que tem “doutrina”. O que há nessas afirmações é uma confusão entre as palavras “doutrina” e “costume”.

As vezes pessoas são disciplinadas em certas igrejas por usar ou praticar coisas que aquela igreja julga que é proibido nas Escrituras, quando na verdade é apenas um costume local.

Mas, você pode perguntar: existem passagens que mostram como os homens e mulheres da Bíblia se vestiam e o que usavam? Será que é correto hoje usar tudo o que eles usavam? A Bíblia aponta um padrão para a vestimenta e adornos cristãos? Podem os irmãos e as irmãs se adornarem ou é isso pecado? E aqueles versículos que estas pessoas citam para proibir o uso de enfeites o que querem dizer? Neste capitulo vamos estudar sobre este assunto com detalhes.

I- COSTUME E DOUTRINA.

1.a- Já foi dito aqui que muita gente faz confusão entre “costume” e “doutrina”, a primeira coisa que devemos fazer é definir estes termos, pois existe diferença.

· Costumes estão ligados a usos, a uma prática habitual particular, se baseiam na cultura e na moda vigente naquele tempo e lugar.

· Doutrina. No Novo Testamento, a palavra mais usada para doutrina é didachê e significa: ensino, instrução, tratado. Para uma idéia ser doutrina cristã, é preciso que ela esteja exposta por todo o texto sagrado, e seja válida para todos os cristãos, ou seja, não é apenas algo local ou circunstancial, mas universal.

Observe a diferenças entre doutrina e costume.

  • Quanto à origem: A doutrina é divina. O costume em si é humano.
  • Quanto ao alcance: A doutrina é geral. O costume em si é local.
  • Quanto ao tempo: A doutrina é imutável. O costume em si é temporário

1.b- A doutrina bíblica gera bons costumes, mas bons costumes não geram doutrina bíblica. Igrejas há que têm um somatório imenso de bons costumes, mas quase nada de doutrina. Isso é muito perigoso! Seus membros naufragam com facilidade por não terem a base espiritual da Palavra de Deus, se confiam nas próprias obras e acham que estão mais perto de Deus por não fazer ou não usar isso ou aquilo.


II- O QUE É VAIDADE.

2.a- Temos que definir também esta palavra e observar como ela aparece nas Escrituras Sagradas. É importante a gente se dar conta de que o termo ‘vaidade’, em português, não significa uma preocupação com a estética, como as pessoas pensam e usam a palavra dizendo: “ah, ela é cheia de vaidades!” O termo ‘vaidade’ em português provém do latim vanitas, o sentido básico desta palavra é: ‘em vão’.


1- Vaidade no Antigo Testamento.

a) No AT temos algumas palavras sendo usadas para vaidade. A expressão hebel (vaidade) usada no livro do Eclesiastes 1:2; 2: 11, indica: brevidade e ausência de substância, vazio (Jó 7: 16); coisa vã, que não produz efeito (Jó 9:29); engano (Jr. 16: 19; Zc. 10:2). [1] A The International Standard Bible Encyclopedia nos ajuda aqui com esta palavra e diz que as palavras "vão", "vaidade", "vaidades" são freqüentes na Bíblia. A idéia destas palavras é quase que exclusivamente de algo "vazio” e também “falsidade”.

1- A palavra mais traduzida por "vaidades", ou "vaidade" no AT é hebel, que significa um "sopro de ar, ou da boca", muitas vezes é aplicada à idolatria (Dt. 32: 21; 1 Rs. 16:13; Sl 31:6; Jr. 8: 19); aos dias do homem e ao próprio homem (Jó 7:16; Sl. 39: 5,11), e também aos pensamentos do homem (Sl. 94: 11); e a riqueza e tesouros (Pv. 13:11). No livro do Eclesiastes, onde a palavra ocorre muitas vezes, é aplicada a tudo: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (Ec. 1:2; 12:8).

2- Awen, que significa também "sopro", é também traduzida por "vaidade", mas em conexão com "iniqüidade" (Is. 58:9);

3- Shaw é outra palavra freqüente, é traduzida por vaidade e tem também a idéia de “falsidade, maldade” (Êx.20:7, Dt. 5:11; Sl. 31:6).[2]


2- Vaidade no Novo Testamento.

a) A palavra “vaidade” não ocorre freqüentemente no NT, mas em At. 14:15 temos a palavra grega mataios,[3] "vazio", traduzida como "vaidades" (de ídolos); encontra-se também mataiotês, como “transitoriedade” (Rm. 8:20): “A criação ficou sujeita à vaidade (fragilidade, transitoriedade). É traduzida também como “vazio”, “loucura” (Ef. 4:17; 2 Pd. 2:18).[4] Observe que nenhuma vez estas palavras estão sendo aplicadas a questões de se maquiar ou usar certos adereços como brincos, pulseiras, etc.

III- O QUE OS HOMENS E AS MULHERES DA BIBLIA USAVAM?

Os homens e as mulheres da Bíblia se enfeitavam e não era pouco. Eles usavam muitos adornos em várias partes do corpo. A seguir listamos alguns:

3.a- Os homens usavam:

· Anéis e colares (Gn. 41: 42; Ex. 35: 22; Et. 8: 2; Dn. 5: 29; Lc. 15: 22);

· Brincos (Ex. 32:2-3);

· Braceletes (Ex. 35: 22; 2Sm. 1:10);

3.b-As mulheres usavam:

  • Pendente, pulseira (Gn. 24: 22, 47);
  • Braceletes, colares (Ez. 16: 11);
  • Brincos, coroa na cabeça (Ez. 16:12);
  • Anéis no tornozelo (Is. 3 18);
  • Cadeias para os passos (Is. 3: 20).

3.c- Observe com atenção que as mulheres e os homens da Bíblia usavam muitos enfeites, não havia a concepção de pecado para tal prática. Todos podiam usar os seus adornos, se vestir bem e se enfeitar para o dia a dia. Nas Escrituras isto nunca foi proibido. A relação de Deus e do povo de Deus com as jóias na Bíblia é muito interessante, preste atenção nessas passagens a seguir:

· Êx. 3: 21-22- Deus diz que quando os israelitas saíssem da escravidão no Egito pedissem aos egípcios jóias e roupas para seus filhos usarem. Isso não aconteceria se os israelitas não usassem jóias e se Deus fosse contra as mesmas.

· Êx. 35 4-5, 20-22, 30- 36:3- Veja que os objetos do Santuário que Deus mandou Moisés construir para ser sua casa de adoração, foram feitos cm as jóias do povo. Se jóias fossem algo pecaminoso Deus as usaria na Sua casa?

· Nm. 31: 50- aqui encontramos as jóias do povo sendo usadas como oferta expiatória para Deus. Deus aceitaria como oferta algo pecaminoso?

· Jó 42: 11- Como presente dos seus amigos após sua restauração Jó o homem justo e temente a Deus (Jó 1:1), recebe um monte de anéis. Para que isso se ele não usasse?

· Pv. 1:8-9- O escritor de provérbios compara o ensino dos PIS que é uma coisa muito boa, com diademas e colares, ou seja, compara com adornos, enfeites. Isto mostra que para ele os enfeites eram coisas importantes e boas. E não podemos esquecer que ele escrevia inspirado pelo Espírito Santo.

· Pv. 25:12- Uma pessoa sábia é comparada com jóias e brincos de ouro.

· Is. 61:10- Jerusalém é representada como se fosse uma mulher,que está recebendo as bênçãos de Deus (3), e estas bênçãos são comparadas com enfeites, com as jóias de uma noiva.

· Ez. 16: 1-14- Este texto é maravilhoso e esclarecedor. Deus compara Jerusalém com uma mulher, e como se Ele fosse um esposo que está feliz com sua mulher, lhe dá todo tipo de jóias, e ainda diz que ela enfeitada está com a gloria dele refletida (14).

· Ap. 21: 1-2- a Nova Jerusalém, que é um símbolo da Igreja glorificada, é comparada a uma noiva quando se enfeitava para o casamento.

3.d- Será que se as jóias fossem algo que Deus abomina e que os cristãos não deveriam usar o Senhor faria as comparações que acabamos de ler em sua Palavra, e daria e receberia as mesmas de seu povo? É óbvio que não. Todas estas passagens mostram que nas Escrituras nada existe de proibições com respeito as jóias, e que o povo da Bíblia as usava normalmente.

(continua)


[1] EATON, Michael A. e CARR, G. Lloyd. Eclesiates e Cantares (São Paulo: Vida Nova, 1989), pp. 62-63.

[3] Esta palavra enfatiza algo vão, vazio. Falta de objetivos, o caminho que não leva para lugar nenhum. ROGERS, Cleon e RIENECKER, Fritz. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego (São Paulo: Vida Nova, 2006), p. 218.

4 comentários:

Ricardo Mamedes disse...

Caro Joelson,

Que grande coincidência! Não é que há alguns dias o Pr. Ciro Zibordi postou um artigo sobre o assunto defendendo alguns legalismos exagerados sobre usos e costumes, tornando pecado (disfarçadamente) futebol, televisão etc...

Postei um comentário educado, ético, mas refutando o seu argumento e afirmando que a sua visão talvez estivesse sendo influenciada pela "visão denominacional". E acrescentei que a salvação pela fé, mediante a graça (efésios 2:8-9) prescindia desses legalismos. Finalizei considerando um certo farisaísmo nisso tudo.

O Insigne pastor se negou a publicar o meu comentário. Cobrei três vezes a publicação, mas o letrado escritor continuou negando. Lhe enviei um email, e ainda assim o ácido crítico dos defeitos alheios se manteve firme na decisão de me censurar.

Logo, concluí que CIRO ZIBORDI é célere em criticar seus desafetos (quase sempre com razão), mas não aceita críticas, ou comentários bem estruturados que refutem os seus argumentos. Ou seja, tem uma visão oblíqua do que são direitos. É uma pena, eu até admirava o sujeito, independentemente de ser pentecostal.

Mas, afinal, é isso, penso que a graça, como dom gratuito de Deus para a salvação está muito além de usos e costumes, embora devendo os cristãos se vestirem decente e respeitosamente.

NEle.

Ricardo

JOELSON GOMES disse...

Ricardo graça e paz em Cristo. O tal Ciro cultuado por muitos blogueiros realmente não debate idéias. Um dia ousou postar artigo criticando a doutrina biblica da predestinação e a Calvino. Lhe escrevi como vc, respeitosamente, mas o insigne escritor (nunca li seus livros e um que folheei era horrivel), epenas me criticou e ponto. Isso é bem a moda da Ass. de Deus.

Ricardo Mamedes disse...

É isso mesmo meu irmão! Eu vi a refutação dele sobre a predestinação - se é que aquilo pode ser chamado de refutação.

O sujeito é arrogante, embora de pouca cultura. Espero em Cristo que ele reflita sobre as suas atitudes. Enquanto isso, eu prefiro a graça e afasto os legalismos, pois se "a salvação fosse pelo cumprimento da lei (usos e costumes, etc) a graça já não seria graça".

Em Cristo, o único caminho.

Ricardo

Anselmo disse...

Pr Joelson.
Estou no meio de um embate sobre o tema de seu post.Ele sintetiza de forma clara meu pensamento sobre as questões aqui levantada.
Gostaria de republicar em meu blog(com o crédito devido ao irmão.)
Um grande abraço.
Paz!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.